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A tragédia de Fausto Cardoso

No ano de 1906, entre a eleição de Afonso Pena, em março, e sua posse na Presidência da República, em novembro, fatos graves ocorreram na vida política de alguns Estados, destacadamente Mato Grosso e Sergipe.  Cinjo-me ao acontecido em Sergipe.

Clovis Beviláqua, referindo-se a Fausto Cardoso, que seguira em julho desse ano para sergipanas plagas, disse que ele desempenhara “com brilho excepcional” o mandato de deputado federal, tendo tomado parte na discussão do Código Civil propugnando pelo divórcio. Encontraram-se naquele julho na Bahia. Clovis narrou, em 1927, ainda amargurado, a tragédia de que Fausto fora vítima.

Fausto Cardoso escrevera em Taxinomia Social, de 1898, que a liberdade

“foi amalgamada na história com o cimento dos séculos e o sangue dos homens. E quantos a quiserem possuir hão-de-conquistá-la pelo mesmo caminho”.

Antes, em 1894, publicara Concepção Monística do Universo, com prefácio de Graça Aranha, que pouco depois seria o fundador da cadeira n° 36, Tobias Barreto seu patrono, da Academia Brasileira de Letras. No ano subseqüente, Souza Bandeira, também, da Escola do Recife, sucessor de Martins Júnior na Casa de Machado de Assis, sobre esse livro iria dizer:

“Discípulo de Tobias Barreto, o Dr. Fausto Cardoso pertence ao número dos que ouviram a palavra do grande mestre, graças à qual pôde familiarizar-se com as doutrinas modernas, e possuir-se do entusiasmo comunicativo que ele sabia ter pelas “idéias novas que voam de outros mundos e vêm fazer seu ninho em nossas cabeças.” Fortemente saturado das doutrinas de que o pranteado mestre se tornou estrênuo propagandista, conservou, porém, o Dr. Fausto Cardoso toda independência e a originalidade do seu belo talento, e continuando a aprofundar sozinho o estudo das teorias em que  fora iniciado, ostenta-se hoje com a envergadura de um espírito fortemente culto e extremamente ousado.”

O tempo andando, quando da inauguração da sua estátua na praça que lhe leva o nome, em Aracaju, discursou Gumersindo Bessa dizendo:

“Esta apoteose de hoje não se a consagra ao poeta, ao orador, ao filósofo, ao professor laureado; mas ao herói, ao homem abnegadamente generoso, leoninamente valente, para quem o sacrifício era uma volúpia, que, tendo consumado uma revolução incruenta, e vendo-a sossobrar, preferiu submergir-se com ela a salvá-la a preço do sangue alheio ou de uma vilania própria.”

Francisco Rollemberg, que já representou o Estado e o povo de Sergipe nas duas Casas do Congresso Nacional, quando Deputado escreveu a Introdução a Discursos Parlamentares de Fausto Cardoso, dando na aludida peça pormenores da Revolta de 1906, inclusive da absurda morte do seu líder.

Fontes de Alencar

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